Querem ver como é possível destruir um país devagarinho?
Esta tarde a indicação do advogado-geral da União, José Antonio Toffoli, para o cargo mais importante da hierarquia do Poder Judiciário do Brasil, a de Ministro do Supremo Tribunal Federal, foi aprovada no Senado.
O cargo de ministro do Supremo exige, entre outros requisitos, notório saber jurídico e reputação ilibada. Toffoli não tem nem mestrado e nem doutorado, é autor de dois artigos, jamais publicou um livro, foi reprovado duas vezes em concurso para juiz de primeira instância, é amigão do José Dirceu e pasmem, tem até condenação na justiça do Macapá, em primeira instância, a qual foi rapidamente suspensa quando seu nome foi indicado por seu cliente, o presidente Lula.
Dentre os inúmeros problemas que existem no Brasil, a questão do judiciário é especialmente sensível. Por mais que a classe lute, todos sabem que parte dos Tribunais do país está infestado de juízes corruptos, que vendem suas decisões para quem pagar mais. Trata-se de um sistema históricamente construído para atender a classe dominante, ocupado por integrantes sem qualquer pudor ou compromisso com a justiça e agora coroada com a presença do advogado do Lula e do José Dirceu. Preciso comentar mais?
Quarta-feira, Setembro 30, 2009
Terça-feira, Setembro 22, 2009
Honduras: Uma Aula de Política "na Prática"!
Chegou a hora de “por em prática” o que aprendemos em sala de aula. Observem as notícias sobre a crise de Honduras. Para quem desconhece segue uma cronologia do caso publicada pelo Estadão. (http://www.estadao.com.br/).
28 de junho.- Zelaya, detido pelo Exército em sua casa e expulso para a Costa Rica, é substituído por Roberto Micheletti, que assume a Presidência.
29 de junho.- ONU condena de forma unânime o golpe de Estado.
30 de junho.- Zelaya anuncia iminente retorno a Tegucigalpa, enquanto Micheletti adverte que caso isso aconteça deterá o líder deposto.
1 de julho.- Organização dos Estados Americanos (OEA) dá um prazo de 72 horas a Honduras para que restitua Zelaya no poder.
3 de julho.- Secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, viaja para Tegucigalpa e adverte sobre a "grande tensão" vivida no país.
4 de julho.- Assembleia Geral da OEA suspende por unanimidade a participação de Honduras no organismo após o vencimento do ultimato dado ao Governo interino.
5 de julho.- Zelaya parte de Washington para Honduras em um avião venezuelano, mas não consegue aterrissar em Tegucigalpa.
7 de julho.- Zelaya se reúne com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em Washington, onde é acordado o início de negociações sob a mediação do presidente da Costa Rica e Prêmio Nobel da Paz em 1987, Oscar Arias. Além disso, EUA suspendem ajuda econômica a Honduras.
9 de julho.- Começa o diálogo de San José na capital da Costa Rica com delegações de Zelaya e Micheletti.
18 de julho.- Arias apresenta um plano de sete pontos, entre eles a restituição de Zelaya como presidente até janeiro, que é rejeitado pelo Governo golpista.
22 de julho.- Presidente da Costa Rica apresenta nova proposta para salvar o processo de diálogo, que compreende a formação de um Governo de unidade por Zelaya e uma anistia política.
24 de julho.- Líder deposto chega à fronteira entre Nicarágua e Honduras e permanece duas horas em uma zona neutra. Ao não conseguir entrar em seu país, volta para o lado nicaraguense.
26 de julho.- Zelaya anuncia que se instalaria indefinidamente na fronteira da Nicarágua com Honduras para organizar uma "resistência pacífica" e, assim, retornar ao país.
28 de julho.- EUA revogam os vistos diplomáticos de quatro altos funcionários hondurenhos por seu apoio ao golpe.
31 de julho.- Governo hondurenho acaba com o toque de recolher de várias horas que mantinha praticamente ininterruptamente desde o golpe, com a exceção da zona fronteiriça com a Nicarágua.
Tribunal de Tegucigalpa ordena a detenção de Zelaya por falsificação de documentos e outros crimes.
3 de agosto.- Zelaya abandona definitivamente a fronteira entre Nicarágua e Honduras.
4 de agosto.- Líder deposto é recebido no México com honras de chefe de Estado, algo que depois se repete em Brasil, Chile e Peru.
11 de agosto.- Milhares de seguidores de Zelaya se concentram em Tegucigalpa, onde acontecem distúrbios e enfrentamentos com a Polícia, e em San Pedro Sula, para exigir sua restituição.
21 de agosto.- Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) denuncia o "uso desproporcional da força" pela Polícia e o Exército hondurenhos.
24 de agosto.- Missão de chanceleres da OEA, com Insulza como observador, chega a Honduras para buscar uma solução à crise política, em uma iniciativa que se mostra infrutífera.
25 de agosto.- Governo dos EUA anuncia suspensão da emissão de vistos para hondurenhos não imigrantes e casos que não sejam de emergência.
31 de agosto.- Começa a campanha para as eleições gerais de 29 de novembro em Honduras.
1 de setembro.- Países-membros da OEA anunciam que não reconhecerão os resultados do pleito hondurenho.
2 de setembro.- Arias rejeita três contrapropostas ao acordo estipulado em San José apresentadas pelo Governo Micheletti.
3 de setembro.- EUA ampliam as sanções contra Honduras e anunciam que não reconhecerão o vencedor das eleições.
12 de setembro.- Governo dos EUA cancela o visto de Micheletti, de seu chanceler, Carlos López, e de 14 juízes da Suprema Corte de Justiça hondurenha.
16 de setembro.- Candidatos à Presidência de Honduras se reúnem em San José com Oscar Arias para dar seu "apoio" ao plano de resolução da crise.
21 de setembro.- Zelaya anuncia que está em Tegucigalpa, na embaixada brasileira.
Basicamente, o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, empossado no ano de 2006, após eleições democráticas, foi deposto por meio de um golpe militar no dia 28 de junho de 2009.
Zelaya surpreendeu a todos quando mudou de lado ao longo de seu governo. Apoiado pelas chamadas “forças de direita” (não se esqueçam de que não mais utilizaremos esse conceito que é pobre e limitador para entender de que lado uma coalizão política realmente está), Zelaya mudou de lado e abraçou causas típicas da esquerda, desde o estabelecimento de diferentes políticas de controle e regulamentação da economia pelo Estado, até a aproximação e associação com figuras como Hugo Chavez, presidente da Venezuela.
Nesta nossa “aula”, podemos relacionar fortemente a questão do Poder do Estado, dos governos de direito e de fato (na imprensa optou-se por escrever “de facto”), da definição de Estado, soberania e das relações internacionais, sendo que esta última ainda não foi explorada em nosso curso.
Como se depreende da cronologia, Zelaya deslocou-se até a embaixada brasileira em Tegucigalpa (capital do país) e está abrigado em suas dependências. Desde a embaixada, o presidente deposto convocou uma marcha da população em direção à capital, pedindo a todos os seus simpatizantes que protegessem o prédio e manifestassem seu apoio e oposição ao governo golpista.
O governo hondurenho solicitou que a embaixada brasileira entregasse Zelaya, depois manifestou sua revolta contra o fato de que o Brasil teria dado apoio para a operação que levou Zelaya para dentro de sua embaixada e reafirmou sua disposição em prender e processar o presidente deposto. Cumpridas parte das etapas diplomáticas (elas ainda não se esgotaram), o governo de Honduras expulsou os manifestantes pró-Zelaya que cercavam a embaixada, ocupou o espaço, cortou o fornecimento de água e energia e instalou potentes alto-falantes direcionados para o prédio que agora escuta incessantemente o hino do país.
Para quem não sabe, toda representação diplomática é considerada um pedaço do país em solo estrangeiro. Isso significa que se as forças armadas invadirem a embaixada em Tegucigalpa estarão, na prática, realizando uma invasão militar ao território brasileiro. No limite, trata-se de uma espécie de declaração de guerra ao país invadido.
As questões são:
1) Porque diabos o Brasil permitiu colocar-se numa situação como essa?
2) Caso Honduras invada o território nacional, qual seria a resposta mais adequada?
Observem que o maluco que teve a idéia de abrigar Zelaya na embaixada e é claro que a operação foi realizada com o apoio do governo Lula, não pensou que as conseqüências poderiam ser catastróficas para uma população confusa e vítima da negligência de tantos outros governos.
Além disso, a ação do Brasil pode gerar violência e mortes, as quais são totalmente contrárias à postura conciliadora que a história recente da diplomacia brasileira sempre teve.
Outra questão interessante é lembrar que se um país pretende ser líder de um continente ou de uma região, deverá ter mais responsabilidade e deverá também aprender a manejar melhor seu poder e não utilizá-lo contra um país pobre e quase indefeso do ponto de vista militar.
Uma coisa é posicionar-se diante da agressão contra a democracia perpetrada contra Zelaya, a outra é abrigá-lo em sua embaixada e permitir que ele comande uma revolução a partir de território brasileiro, cujo chamamento, caso seja aceito pela população, levará Honduras para uma inevitável guerra civil.
Cabe agora a leitura cuidadosa do material que publicarei abaixo para que todos possam recordar as discussões em sala de aula e verificar o quão próxima a realidade e a história estão de nossos conteúdos.
28 de junho.- Zelaya, detido pelo Exército em sua casa e expulso para a Costa Rica, é substituído por Roberto Micheletti, que assume a Presidência.
29 de junho.- ONU condena de forma unânime o golpe de Estado.
30 de junho.- Zelaya anuncia iminente retorno a Tegucigalpa, enquanto Micheletti adverte que caso isso aconteça deterá o líder deposto.
1 de julho.- Organização dos Estados Americanos (OEA) dá um prazo de 72 horas a Honduras para que restitua Zelaya no poder.
3 de julho.- Secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, viaja para Tegucigalpa e adverte sobre a "grande tensão" vivida no país.
4 de julho.- Assembleia Geral da OEA suspende por unanimidade a participação de Honduras no organismo após o vencimento do ultimato dado ao Governo interino.
5 de julho.- Zelaya parte de Washington para Honduras em um avião venezuelano, mas não consegue aterrissar em Tegucigalpa.
7 de julho.- Zelaya se reúne com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em Washington, onde é acordado o início de negociações sob a mediação do presidente da Costa Rica e Prêmio Nobel da Paz em 1987, Oscar Arias. Além disso, EUA suspendem ajuda econômica a Honduras.
9 de julho.- Começa o diálogo de San José na capital da Costa Rica com delegações de Zelaya e Micheletti.
18 de julho.- Arias apresenta um plano de sete pontos, entre eles a restituição de Zelaya como presidente até janeiro, que é rejeitado pelo Governo golpista.
22 de julho.- Presidente da Costa Rica apresenta nova proposta para salvar o processo de diálogo, que compreende a formação de um Governo de unidade por Zelaya e uma anistia política.
24 de julho.- Líder deposto chega à fronteira entre Nicarágua e Honduras e permanece duas horas em uma zona neutra. Ao não conseguir entrar em seu país, volta para o lado nicaraguense.
26 de julho.- Zelaya anuncia que se instalaria indefinidamente na fronteira da Nicarágua com Honduras para organizar uma "resistência pacífica" e, assim, retornar ao país.
28 de julho.- EUA revogam os vistos diplomáticos de quatro altos funcionários hondurenhos por seu apoio ao golpe.
31 de julho.- Governo hondurenho acaba com o toque de recolher de várias horas que mantinha praticamente ininterruptamente desde o golpe, com a exceção da zona fronteiriça com a Nicarágua.
Tribunal de Tegucigalpa ordena a detenção de Zelaya por falsificação de documentos e outros crimes.
3 de agosto.- Zelaya abandona definitivamente a fronteira entre Nicarágua e Honduras.
4 de agosto.- Líder deposto é recebido no México com honras de chefe de Estado, algo que depois se repete em Brasil, Chile e Peru.
11 de agosto.- Milhares de seguidores de Zelaya se concentram em Tegucigalpa, onde acontecem distúrbios e enfrentamentos com a Polícia, e em San Pedro Sula, para exigir sua restituição.
21 de agosto.- Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) denuncia o "uso desproporcional da força" pela Polícia e o Exército hondurenhos.
24 de agosto.- Missão de chanceleres da OEA, com Insulza como observador, chega a Honduras para buscar uma solução à crise política, em uma iniciativa que se mostra infrutífera.
25 de agosto.- Governo dos EUA anuncia suspensão da emissão de vistos para hondurenhos não imigrantes e casos que não sejam de emergência.
31 de agosto.- Começa a campanha para as eleições gerais de 29 de novembro em Honduras.
1 de setembro.- Países-membros da OEA anunciam que não reconhecerão os resultados do pleito hondurenho.
2 de setembro.- Arias rejeita três contrapropostas ao acordo estipulado em San José apresentadas pelo Governo Micheletti.
3 de setembro.- EUA ampliam as sanções contra Honduras e anunciam que não reconhecerão o vencedor das eleições.
12 de setembro.- Governo dos EUA cancela o visto de Micheletti, de seu chanceler, Carlos López, e de 14 juízes da Suprema Corte de Justiça hondurenha.
16 de setembro.- Candidatos à Presidência de Honduras se reúnem em San José com Oscar Arias para dar seu "apoio" ao plano de resolução da crise.
21 de setembro.- Zelaya anuncia que está em Tegucigalpa, na embaixada brasileira.
Basicamente, o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, empossado no ano de 2006, após eleições democráticas, foi deposto por meio de um golpe militar no dia 28 de junho de 2009.
Zelaya surpreendeu a todos quando mudou de lado ao longo de seu governo. Apoiado pelas chamadas “forças de direita” (não se esqueçam de que não mais utilizaremos esse conceito que é pobre e limitador para entender de que lado uma coalizão política realmente está), Zelaya mudou de lado e abraçou causas típicas da esquerda, desde o estabelecimento de diferentes políticas de controle e regulamentação da economia pelo Estado, até a aproximação e associação com figuras como Hugo Chavez, presidente da Venezuela.
Nesta nossa “aula”, podemos relacionar fortemente a questão do Poder do Estado, dos governos de direito e de fato (na imprensa optou-se por escrever “de facto”), da definição de Estado, soberania e das relações internacionais, sendo que esta última ainda não foi explorada em nosso curso.
Como se depreende da cronologia, Zelaya deslocou-se até a embaixada brasileira em Tegucigalpa (capital do país) e está abrigado em suas dependências. Desde a embaixada, o presidente deposto convocou uma marcha da população em direção à capital, pedindo a todos os seus simpatizantes que protegessem o prédio e manifestassem seu apoio e oposição ao governo golpista.
O governo hondurenho solicitou que a embaixada brasileira entregasse Zelaya, depois manifestou sua revolta contra o fato de que o Brasil teria dado apoio para a operação que levou Zelaya para dentro de sua embaixada e reafirmou sua disposição em prender e processar o presidente deposto. Cumpridas parte das etapas diplomáticas (elas ainda não se esgotaram), o governo de Honduras expulsou os manifestantes pró-Zelaya que cercavam a embaixada, ocupou o espaço, cortou o fornecimento de água e energia e instalou potentes alto-falantes direcionados para o prédio que agora escuta incessantemente o hino do país.
Para quem não sabe, toda representação diplomática é considerada um pedaço do país em solo estrangeiro. Isso significa que se as forças armadas invadirem a embaixada em Tegucigalpa estarão, na prática, realizando uma invasão militar ao território brasileiro. No limite, trata-se de uma espécie de declaração de guerra ao país invadido.
As questões são:
1) Porque diabos o Brasil permitiu colocar-se numa situação como essa?
2) Caso Honduras invada o território nacional, qual seria a resposta mais adequada?
Observem que o maluco que teve a idéia de abrigar Zelaya na embaixada e é claro que a operação foi realizada com o apoio do governo Lula, não pensou que as conseqüências poderiam ser catastróficas para uma população confusa e vítima da negligência de tantos outros governos.
Além disso, a ação do Brasil pode gerar violência e mortes, as quais são totalmente contrárias à postura conciliadora que a história recente da diplomacia brasileira sempre teve.
Outra questão interessante é lembrar que se um país pretende ser líder de um continente ou de uma região, deverá ter mais responsabilidade e deverá também aprender a manejar melhor seu poder e não utilizá-lo contra um país pobre e quase indefeso do ponto de vista militar.
Uma coisa é posicionar-se diante da agressão contra a democracia perpetrada contra Zelaya, a outra é abrigá-lo em sua embaixada e permitir que ele comande uma revolução a partir de território brasileiro, cujo chamamento, caso seja aceito pela população, levará Honduras para uma inevitável guerra civil.
Cabe agora a leitura cuidadosa do material que publicarei abaixo para que todos possam recordar as discussões em sala de aula e verificar o quão próxima a realidade e a história estão de nossos conteúdos.
Tropas Cercam Embaixada do Brasil
Fonte: Portal da Revista Veja
Data: 22 de setembro de 2009
Militares e policiais de Honduras cercaram a embaixada brasileira em Tegucigalpa (capital do país) na madrugada desta terça-feira, dispersando a manifestação de apoiadores do presidente deposto, Manuel Zelaya, que passaram toda a noite em frente ao prédio da representação brasileira.
O porta-voz Orlin Cerrato disse que os zelaystas foram retirados "em cumprimento da lei", depois que o atual presidente Roberto Micheletti impôs toque de recolher e exigiu que o Brasil entregue Zelaya - que está refugiado desde que voltou em segredo ao país depois de quase três meses de exílio .
A embaixada também teve a eletricidade, a água e o telefone cortados, o que levou o Brasil a solicitar apoio da embaixada dos Estados Unidos para que, em caso de necessidade, emprestem diesel para o gerador e enviem agentes para garantir a segurança.
A polícia de Honduras, porém, negou que pretenda entrar na embaixada para capturar o presidente deposto. "Isso não pode ser feito, porque estamos falando de convenções internacionais, e é preciso respeitar as leis internacionais", disse Cerrato à agência France-Presse.
Zelaya fala em paz - Manuel Zelaya declarou nesta terça-feira que conversou com alguns policiais e militares para buscar uma saída para a crise institucional e afirmou que o atual presidente tenta "isolar" o país para impedir a entrada de missões internacionais.
"Eu acho que precisamos buscar uma aproximação direta para que esta aproximação leve à paz. Lutar pelos pobres nunca deve ser um crime, lutar para restabelecer a democracia não deve ser um crime", declarou ele, que foi derrotado e expulso de Honduras após o golpe de Estado de 28 de junho.
Zelaya afirmou que o atual presidente, Roberto Micheletti, impôs o toque de recolher e fechou os aeroportos para impedir a chegada de missões internacionais em busca de uma saída negociada para a crise. "Estão cuidando da circulação de aviões e nos aeroportos internacionais para evitar que venham as missões internacionais", disse.
Lula pede solução - Em Nova York, onde participa da Assembleia Geral da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu aos governantes de Honduras que aceitem uma solução negociada e democrática que permita o retorno de Manuel Zelaya ao poder.
"O que deveria acontecer normalmente é que os golpistas deveriam dar espaço a quem tem o direito de estar neste lugar, que é o presidente democraticamente eleito pelo povo", afirmou Lula, em entrevista coletiva, pedindo, ainda, que seja respeitada a "imunidade da embaixada brasileira".
O presidente disse que conversou por telefone com Zelaya e pediu que ele "tivesse muito cuidado de não dar pretexto algum aos golpistas para recorrer à violência". Lula esclareceu que o Brasil não pretende atuar como mediador na crise, papel que corresponde à Organização de Estados Americanos (OEA), cujo secretário-geral, José Miguel Insulza, está em permanente contato com o chanceler brasileiro, Celso Amorim.
Segundo Lula, a comunidade internacional já não pode tolerar a presença de um governo golpista na América Latina. "Não estamos mais nos problemas da década de 60 e não podemos aceitar que, por divergências políticas, alguém se ache no direito de dispor de um presidente democraticamente eleito".
Negociação - Insulza, por sua vez, afirmou que a única medida que cabe ao país é a negociação com o governo de Roberto Micheletti. "Não cabem muitas alternativas a não ser entrar em negociação", declarou em entrevista em Washington à rádio Cooperativa de Santiago.
Ele afirmou ainda que a OEA apoia a medida de Zelaya de ter se refugiado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa. "Com certeza, apoiamos esta decisão e pedimos tanto para a sede brasileira como para o senhor Zelaya todas as garantias que correspondem", completou.
(Com agência France-Presse)
Data: 22 de setembro de 2009
Militares e policiais de Honduras cercaram a embaixada brasileira em Tegucigalpa (capital do país) na madrugada desta terça-feira, dispersando a manifestação de apoiadores do presidente deposto, Manuel Zelaya, que passaram toda a noite em frente ao prédio da representação brasileira.
O porta-voz Orlin Cerrato disse que os zelaystas foram retirados "em cumprimento da lei", depois que o atual presidente Roberto Micheletti impôs toque de recolher e exigiu que o Brasil entregue Zelaya - que está refugiado desde que voltou em segredo ao país depois de quase três meses de exílio .
A embaixada também teve a eletricidade, a água e o telefone cortados, o que levou o Brasil a solicitar apoio da embaixada dos Estados Unidos para que, em caso de necessidade, emprestem diesel para o gerador e enviem agentes para garantir a segurança.
A polícia de Honduras, porém, negou que pretenda entrar na embaixada para capturar o presidente deposto. "Isso não pode ser feito, porque estamos falando de convenções internacionais, e é preciso respeitar as leis internacionais", disse Cerrato à agência France-Presse.
Zelaya fala em paz - Manuel Zelaya declarou nesta terça-feira que conversou com alguns policiais e militares para buscar uma saída para a crise institucional e afirmou que o atual presidente tenta "isolar" o país para impedir a entrada de missões internacionais.
"Eu acho que precisamos buscar uma aproximação direta para que esta aproximação leve à paz. Lutar pelos pobres nunca deve ser um crime, lutar para restabelecer a democracia não deve ser um crime", declarou ele, que foi derrotado e expulso de Honduras após o golpe de Estado de 28 de junho.
Zelaya afirmou que o atual presidente, Roberto Micheletti, impôs o toque de recolher e fechou os aeroportos para impedir a chegada de missões internacionais em busca de uma saída negociada para a crise. "Estão cuidando da circulação de aviões e nos aeroportos internacionais para evitar que venham as missões internacionais", disse.
Lula pede solução - Em Nova York, onde participa da Assembleia Geral da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu aos governantes de Honduras que aceitem uma solução negociada e democrática que permita o retorno de Manuel Zelaya ao poder.
"O que deveria acontecer normalmente é que os golpistas deveriam dar espaço a quem tem o direito de estar neste lugar, que é o presidente democraticamente eleito pelo povo", afirmou Lula, em entrevista coletiva, pedindo, ainda, que seja respeitada a "imunidade da embaixada brasileira".
O presidente disse que conversou por telefone com Zelaya e pediu que ele "tivesse muito cuidado de não dar pretexto algum aos golpistas para recorrer à violência". Lula esclareceu que o Brasil não pretende atuar como mediador na crise, papel que corresponde à Organização de Estados Americanos (OEA), cujo secretário-geral, José Miguel Insulza, está em permanente contato com o chanceler brasileiro, Celso Amorim.
Segundo Lula, a comunidade internacional já não pode tolerar a presença de um governo golpista na América Latina. "Não estamos mais nos problemas da década de 60 e não podemos aceitar que, por divergências políticas, alguém se ache no direito de dispor de um presidente democraticamente eleito".
Negociação - Insulza, por sua vez, afirmou que a única medida que cabe ao país é a negociação com o governo de Roberto Micheletti. "Não cabem muitas alternativas a não ser entrar em negociação", declarou em entrevista em Washington à rádio Cooperativa de Santiago.
Ele afirmou ainda que a OEA apoia a medida de Zelaya de ter se refugiado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa. "Com certeza, apoiamos esta decisão e pedimos tanto para a sede brasileira como para o senhor Zelaya todas as garantias que correspondem", completou.
(Com agência France-Presse)
IRRESPONSÁVEIS, FALASTRÕES E PERIGOSOS
Título: Irresponsáveis, Falastrões e Perigosos
Autor: Reinaldo Azevedo
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo (Portal Veja)
"O Brasil não reconhece o governo de Honduras. Muito bem. É parte do jogo e do concerto das nações. Este não-reconhecimento tem graus e vai da suspensão de qualquer cooperação até o fechamento da embaixada, com a retirada de todo o corpo diplomático. Mas aquilo a que se assiste em Tegucigalpa é outra coisa: o Itamaraty, numa ação concertada com Hugo Chávez e Daniel Ortega, criou meios para a entrada de Manuel Zelaya no país, violando a Constituição do Brasil, a Constituição de Honduras e a Carta da OEA. Já demonstrei isso. Mas o bolivarianinho Celso Amorim achou pouco: permitiu que Manuel Zelaya usasse as dependências da embaixada para convocar os seus seguidores para a “resistência”.
Embora fale em nome da “paz”, o apelo do bandoleiro deposto não descarta a guerra civil: “Pátria, restituição ou morte”. Lula e Amorim usam a pobre Honduras de forma miserável para exibir seus músculos (santo Deus!!!) e esperam que os hondurenhos tenham o juízo que eles não têm. Afinal, que compromisso o chamado “governo de fato” pode ter com a inviolabilidade da embaixada do Brasil se é considerado um “fora-da-lei”? “Creio que, no momento, tudo que se pode dizer é reiterar nosso pedido diário para que ambas as partes desistam de ações que tenham um desenlace violento”, afirmou Ian Kelly, porta-voz do departamento de Estado dos EUA. E, então, chegamos ao problema.
Os americanos já perceberam — e vai demorar bastante tempo até que a opinião pública mundial se dê conta — que Barack Obama como “líder” do Ocidente é uma piada. Poderíamos supor que a ação do eixo Lula-Chávez-Ortega contou com a bênção dos EUA. Não faltará quem vá buscar indícios de que a Casa Branca sempre esteve no controle. Bobagem! O governo americano foi surpreendido pelo protagonismo da esquerda carnívora (Chávez e Ortega) unida à esquerda herbívora (Lula).
Tenho me correspondido com hondurenhos. Não há menor a possibilidade de Zelaya governar o país a não ser com leis de exceção. Seus únicos apoios são sindicatos dominados por grupelhos de esquerda. Os EUA já tinham se dado conta disso e contavam empurrar a situação com a barriga até novembro, quando há eleições. Mas não deixaram claro que uma ingerência nos assuntos internos de Honduras era inaceitável. Então os lobos e os ruminantes entraram em ação. Tudo debaixo do queixo de estátua de Obama. Se a opinião pública ainda não percebeu que ele é fraco, hesitante, colegial, os governos já entenderam tudo. Pode passar a mão no joelho do rapaz, que a reação indignada virá umas 48 horas depois.
Antes que volte a Brasil e Honduras, mais algumas considerações sobre o mito já despedaçado. Obama é patético. A recente decisão de renunciar ao escudo antimísseis na Europa Oriental, dançando cancã para Putin, de saiote levantado, sem exigir uma miserável contrapartida, dá conta de com quem o mundo está lidando. Há uma explicação bastante sofisticada, inteligente e errada, para o caso: ele agiria assim porque pretende ter o apoio da Rússia, que pressionaria o Irã a não dar seqüência a seu plano nuclear. Aiatolás se interessam por russos enquanto russos forem úteis às pretensões, vamos dizer, “imperialistas” dos aiatolás. No dia em que a Rússia deixar de ser um bom parceiro, o Irã vai fazer o que acha certo. E, nesse caso, pode ser tarde demais.
Que fique o registro: eu não achava uma grande idéia instalar os escudos na Europa Oriental. Tomada a decisão pelo governo americano (pouco importa quem era o presidente), não se volta atrás assim, sem mais nem aquela. Sem contar que Obama deixou na mão os aliados dos EUA na Europa Oriental. Ele poderia ter parado por aí. Mas foi além: como tem a pretensão de governar os EUA a partir dos meios de comunicação, saiu negando que estivesse tentando agradar a Rússia. Ou seja, estava tentando agradar a Rússia. É um primitivo vendido por seus mistificadores como grande estrategista. O que me consola é que não será reeleito.
Por que essa digressão sobre Obama e o escudo? Chamo a atenção dos senhores para o fato de que um presidente dos EUA que faz essas patetices é absolutamente compatível com este que assiste à segunda tentativa de golpe civil bolivariano em Honduras. O primeiro foi repelido pela Justiça, pelo Congresso, pelas Forças Armadas e pela população. Mas Chávez não se conformou. Daniel Ortega mandou homens para a fronteira. Súcias de venezuelanos e nicaragüenses entraram no país para comandar o banho de sangue, frustrado porque é tal o ódio que o país tem a Zelaya, que falta a um dos lados massa para o confronto. Como tudo fracassou, então os neogorilas do continente rasgam a Carta da OEA, pisoteiam na Constituição hondurenha e garantem a Zelaya a volta ao país, usando a embaixada brasileira em Tegucigalpa como palco dessa pantomima.
Sim, no Brasil, há quem veja nessa atitude um gesto de coragem, ousadia e humanismo até. Sem dúvida. A prova maior da grandeza moral de Lula é sua undécima defesa da ditadura cubana, agora nas Nações Unidas. O governo brasileiro insufla a guerra civil num país que não tem presos de consciência e respeita as normas comezinhas do Estado de Direito e pede que uma tirania seja tratada como um governo respeitável. E alguns tontos no Brasil se regozijam. Ora, digamos que a Justiça, o Congresso e as Forças Armadas tivessem deposto Zelaya em desacordo com a Constituição, O QUE É MENTIRA, pergunto: isso justifica que o Brasil, para restaurar a democracia (que nunca deixou de existir), viole as regras mais básicas do direito internacional?
Porta-vozes de Celso Amorim na imprensa brasileira já se encarregam de espalhar a versão de que Zelaya ter “escolhido” (!!!) o Brasil é sinal do prestígio do país na região.
A propósito: aquela gente que ficou torrando a minha paciência apontando o “golpe” que derrubou Zelaya não vai reclamar da óbvia ingerência do Brasil nos assuntos internos de um outro país e do desrespeito à Carta da OEA? Micheletti pediu que o Brasil entregue Zelaya à Justiça. Que Justiça? Lula e Amorim, pelo visto, não reconhecem nem o Congresso nem o Judiciário de Honduras. A reinstalação de Zelaya no poder só poderia se dar se ele fosse posto num trono, com rei absolutista de Honduras, não como presidente.
De todas as porra-louquices internacionais feitas pelo Megalonanico, esta foi, sem dúvida, a maior e mais ousada, pautada, ademais, pela propaganda. Lula vai defender o fim do embargo comercial americano à tirania cubana com a “força” de quem intervém de modo grotesco na realidade interna de um outro país, mesmo com o risco de lançá-lo numa guerra civil. Lula queria ser notícia no mundo. Até havia pouco, noves fora a discurseria mistificadora, o governo Lula era, em política internacional, arrogante e falastrão. Agora estamos vendo que pode ser também perigoso.
Não faz tempo, a Economist perguntou de que lado estava o Brasil. A resposta era e é clara: do lado das ditaduras e dos que vislumbram uma “nova ordem” com o declínio dos EUA. Começamos a ver que cara ela vai assumindo."
Autor: Reinaldo Azevedo
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo (Portal Veja)
"O Brasil não reconhece o governo de Honduras. Muito bem. É parte do jogo e do concerto das nações. Este não-reconhecimento tem graus e vai da suspensão de qualquer cooperação até o fechamento da embaixada, com a retirada de todo o corpo diplomático. Mas aquilo a que se assiste em Tegucigalpa é outra coisa: o Itamaraty, numa ação concertada com Hugo Chávez e Daniel Ortega, criou meios para a entrada de Manuel Zelaya no país, violando a Constituição do Brasil, a Constituição de Honduras e a Carta da OEA. Já demonstrei isso. Mas o bolivarianinho Celso Amorim achou pouco: permitiu que Manuel Zelaya usasse as dependências da embaixada para convocar os seus seguidores para a “resistência”.
Embora fale em nome da “paz”, o apelo do bandoleiro deposto não descarta a guerra civil: “Pátria, restituição ou morte”. Lula e Amorim usam a pobre Honduras de forma miserável para exibir seus músculos (santo Deus!!!) e esperam que os hondurenhos tenham o juízo que eles não têm. Afinal, que compromisso o chamado “governo de fato” pode ter com a inviolabilidade da embaixada do Brasil se é considerado um “fora-da-lei”? “Creio que, no momento, tudo que se pode dizer é reiterar nosso pedido diário para que ambas as partes desistam de ações que tenham um desenlace violento”, afirmou Ian Kelly, porta-voz do departamento de Estado dos EUA. E, então, chegamos ao problema.
Os americanos já perceberam — e vai demorar bastante tempo até que a opinião pública mundial se dê conta — que Barack Obama como “líder” do Ocidente é uma piada. Poderíamos supor que a ação do eixo Lula-Chávez-Ortega contou com a bênção dos EUA. Não faltará quem vá buscar indícios de que a Casa Branca sempre esteve no controle. Bobagem! O governo americano foi surpreendido pelo protagonismo da esquerda carnívora (Chávez e Ortega) unida à esquerda herbívora (Lula).
Tenho me correspondido com hondurenhos. Não há menor a possibilidade de Zelaya governar o país a não ser com leis de exceção. Seus únicos apoios são sindicatos dominados por grupelhos de esquerda. Os EUA já tinham se dado conta disso e contavam empurrar a situação com a barriga até novembro, quando há eleições. Mas não deixaram claro que uma ingerência nos assuntos internos de Honduras era inaceitável. Então os lobos e os ruminantes entraram em ação. Tudo debaixo do queixo de estátua de Obama. Se a opinião pública ainda não percebeu que ele é fraco, hesitante, colegial, os governos já entenderam tudo. Pode passar a mão no joelho do rapaz, que a reação indignada virá umas 48 horas depois.
Antes que volte a Brasil e Honduras, mais algumas considerações sobre o mito já despedaçado. Obama é patético. A recente decisão de renunciar ao escudo antimísseis na Europa Oriental, dançando cancã para Putin, de saiote levantado, sem exigir uma miserável contrapartida, dá conta de com quem o mundo está lidando. Há uma explicação bastante sofisticada, inteligente e errada, para o caso: ele agiria assim porque pretende ter o apoio da Rússia, que pressionaria o Irã a não dar seqüência a seu plano nuclear. Aiatolás se interessam por russos enquanto russos forem úteis às pretensões, vamos dizer, “imperialistas” dos aiatolás. No dia em que a Rússia deixar de ser um bom parceiro, o Irã vai fazer o que acha certo. E, nesse caso, pode ser tarde demais.
Que fique o registro: eu não achava uma grande idéia instalar os escudos na Europa Oriental. Tomada a decisão pelo governo americano (pouco importa quem era o presidente), não se volta atrás assim, sem mais nem aquela. Sem contar que Obama deixou na mão os aliados dos EUA na Europa Oriental. Ele poderia ter parado por aí. Mas foi além: como tem a pretensão de governar os EUA a partir dos meios de comunicação, saiu negando que estivesse tentando agradar a Rússia. Ou seja, estava tentando agradar a Rússia. É um primitivo vendido por seus mistificadores como grande estrategista. O que me consola é que não será reeleito.
Por que essa digressão sobre Obama e o escudo? Chamo a atenção dos senhores para o fato de que um presidente dos EUA que faz essas patetices é absolutamente compatível com este que assiste à segunda tentativa de golpe civil bolivariano em Honduras. O primeiro foi repelido pela Justiça, pelo Congresso, pelas Forças Armadas e pela população. Mas Chávez não se conformou. Daniel Ortega mandou homens para a fronteira. Súcias de venezuelanos e nicaragüenses entraram no país para comandar o banho de sangue, frustrado porque é tal o ódio que o país tem a Zelaya, que falta a um dos lados massa para o confronto. Como tudo fracassou, então os neogorilas do continente rasgam a Carta da OEA, pisoteiam na Constituição hondurenha e garantem a Zelaya a volta ao país, usando a embaixada brasileira em Tegucigalpa como palco dessa pantomima.
Sim, no Brasil, há quem veja nessa atitude um gesto de coragem, ousadia e humanismo até. Sem dúvida. A prova maior da grandeza moral de Lula é sua undécima defesa da ditadura cubana, agora nas Nações Unidas. O governo brasileiro insufla a guerra civil num país que não tem presos de consciência e respeita as normas comezinhas do Estado de Direito e pede que uma tirania seja tratada como um governo respeitável. E alguns tontos no Brasil se regozijam. Ora, digamos que a Justiça, o Congresso e as Forças Armadas tivessem deposto Zelaya em desacordo com a Constituição, O QUE É MENTIRA, pergunto: isso justifica que o Brasil, para restaurar a democracia (que nunca deixou de existir), viole as regras mais básicas do direito internacional?
Porta-vozes de Celso Amorim na imprensa brasileira já se encarregam de espalhar a versão de que Zelaya ter “escolhido” (!!!) o Brasil é sinal do prestígio do país na região.
A propósito: aquela gente que ficou torrando a minha paciência apontando o “golpe” que derrubou Zelaya não vai reclamar da óbvia ingerência do Brasil nos assuntos internos de um outro país e do desrespeito à Carta da OEA? Micheletti pediu que o Brasil entregue Zelaya à Justiça. Que Justiça? Lula e Amorim, pelo visto, não reconhecem nem o Congresso nem o Judiciário de Honduras. A reinstalação de Zelaya no poder só poderia se dar se ele fosse posto num trono, com rei absolutista de Honduras, não como presidente.
De todas as porra-louquices internacionais feitas pelo Megalonanico, esta foi, sem dúvida, a maior e mais ousada, pautada, ademais, pela propaganda. Lula vai defender o fim do embargo comercial americano à tirania cubana com a “força” de quem intervém de modo grotesco na realidade interna de um outro país, mesmo com o risco de lançá-lo numa guerra civil. Lula queria ser notícia no mundo. Até havia pouco, noves fora a discurseria mistificadora, o governo Lula era, em política internacional, arrogante e falastrão. Agora estamos vendo que pode ser também perigoso.
Não faz tempo, a Economist perguntou de que lado estava o Brasil. A resposta era e é clara: do lado das ditaduras e dos que vislumbram uma “nova ordem” com o declínio dos EUA. Começamos a ver que cara ela vai assumindo."
A Política Externa da Canalhice
Título: A Política Externa da Canalhice
Autor: Augusto Nunes
"Em janeiro de 2003, o Brasil liderava a América do Sul sem bravatas nem requebros exibicionistas. No poder desde 1998, Hugo Chávez não ousara provocar nenhum vizinho. O acordo de fronteiras entre o Equador e o Peru, consumado com a mediação pessoal do presidente Fernando Henrique Cardoso, removera do mapa do subcontinente a última zona conflagrada. O Paraguai respeitava o acordo de Itaipu, a Bolívia entendia que o preço do gás levava em conta o gasoduto bilionário construído pelo parceiro. Ninguém se atrevia a desafiar o Brasil.
O governo Lula precisou de seis anos e meio para exterminar a herança bendita. Acanalhado pela soma do deslumbramento de um presidente ignorante também em geopolítica com o servilismo do chanceler Celso Amorim, o Itamaraty cedeu ao Paraguai e ao Equador, recuou diante da Argentina e da Bolívia, rendeu-se à Venezuela e acaba de ajoelhar-se diante de Hugo Chávez. Ao instalar na embaixada em Tegucigalpa o golpista Manuel Zelaya, deposto da presidência por tentativa de estupro contra a Constituição, o país colocou Honduras a um passo da guerra civil.
Tomara que Barack Obama acorde a tempo de descobrir que uma pequena república que luta para livrar-se da quadrilha bolivariana foi simbolicamente (por enquanto) invadida pelo Brasil. Tomara que entenda que um presidente que age como comparsa da ditadura cubana não pode meter as patas em outros países em nome da democracia que não respeita. O que houve não foi um lance no xadrez da política internacional. Foi coisa de gângster."
Autor: Augusto Nunes
"Em janeiro de 2003, o Brasil liderava a América do Sul sem bravatas nem requebros exibicionistas. No poder desde 1998, Hugo Chávez não ousara provocar nenhum vizinho. O acordo de fronteiras entre o Equador e o Peru, consumado com a mediação pessoal do presidente Fernando Henrique Cardoso, removera do mapa do subcontinente a última zona conflagrada. O Paraguai respeitava o acordo de Itaipu, a Bolívia entendia que o preço do gás levava em conta o gasoduto bilionário construído pelo parceiro. Ninguém se atrevia a desafiar o Brasil.
O governo Lula precisou de seis anos e meio para exterminar a herança bendita. Acanalhado pela soma do deslumbramento de um presidente ignorante também em geopolítica com o servilismo do chanceler Celso Amorim, o Itamaraty cedeu ao Paraguai e ao Equador, recuou diante da Argentina e da Bolívia, rendeu-se à Venezuela e acaba de ajoelhar-se diante de Hugo Chávez. Ao instalar na embaixada em Tegucigalpa o golpista Manuel Zelaya, deposto da presidência por tentativa de estupro contra a Constituição, o país colocou Honduras a um passo da guerra civil.
Tomara que Barack Obama acorde a tempo de descobrir que uma pequena república que luta para livrar-se da quadrilha bolivariana foi simbolicamente (por enquanto) invadida pelo Brasil. Tomara que entenda que um presidente que age como comparsa da ditadura cubana não pode meter as patas em outros países em nome da democracia que não respeita. O que houve não foi um lance no xadrez da política internacional. Foi coisa de gângster."
Texto Teórico Para Apoiar a Observação da Crise em Honduras
Este post serve de reforço teórico para todos entenderem como fazer a transposição da teoria para a prática, no caso de Honduras. O texto é de Paulo Bonavides e está no capítulo da obra "Ciência Política", que trata do conceito de Poder Político e faz parte de nossa bibliografia básica.
Do Conceito de Poder
Elemento essencial constitutivo do Estado, o poder representa sumariamente aquela energia básica que anima a existência de unia comunidade humana num determinado território, conservando-a unida, coesa e solidária.
Autores há que preferem defini-lo como "a faculdade de tomar decisões em nome da coletividade" (Afonso Arinos).
Com o poder se entrelaçam a força e a competência, compreendida esta última como a legitimidade oriunda do consentimento. Se o poder repousa unicamente na força, e a Sociedade, onde ele se exerce, exterioriza em primeiro lugar o aspecto coercitivo com a nota da dominação material e o emprego freqüente de meios violentos para impor a obediência, esse poder, não importa sua aparente solidez ou estabilidade, será sempre um poder de fato.
Se, todavia, busca o poder sua base de apoio menos na força do que na competência, menos na coerção do que no consentimento dos governados, converter-se-á então num poder de direito. O Estado moderno resume basicamente o processo de despersonalização do poder, a saber, a passagem de um poder de pessoa a um poder de instituições, de poder imposto pela força a um poder fundado na aprovação do grupo, de um poder de fato a um poder de direito.
No vocabulário político ocorre com freqüência o emprego indistinto das palavras força, poder e autoridade. Exigências de clareza porém recomendam a correção dos abusos aqui perpetrados. A nosso ver, a força exprime a capacidade material de comandar interna e externamente; o poder significa a organização ou disciplina jurídica da força e a autoridade enfim traduz o poder quando ele se explica pelo consentimento, tácito ou expresso, dos governados (quanto mais consentimento mais legitimidade e quanto mais legitimidade mais autoridade). O poder com autoridade é o poder em toda sua plenitude, apto a dar soluções aos problemas sociais. Quanto menor a contestação e quanto maior a base de consentimento e adesão do grupo, mais estável se apresentará o ordenamento estatal, unindo a força ao poder e o poder à autoridade. Onde porém o consentimento social for fraco, a autoridade refletirá essa fraqueza; onde for forte, a autoridade se achará robustecida.
Com respeito ao poder do Estado, urge considerá-lo através dos traços que lhe emprestam a fisionomia costumeira, alguns dos quais comportam intermináveis debates relativos ao seu caráter contingente ou absoluto.
Esses traços são: a imperatividade e natureza integrativa do poder estatal, a capacidade de auto-organização, a unidade e indivisibilidade do poder, o princípio de legalidade e legitimidade e a soberania.
(...)
A soberania, que exprime o mais alto poder do Estado, a qualidade de poder supremo (suprema potestas), apresenta duas faces distintas: a interna e a externa.
A soberania interna significa o imperium que o Estado tem sobre o território e a população, bem como a superioridade do poder político frente aos demais poderes sociais, que lhe ficam sujeitos, de forma mediata ou imediata.
A soberania externa é a manifestação independente do poder do Estado perante outros Estados.
Do Conceito de Poder
Elemento essencial constitutivo do Estado, o poder representa sumariamente aquela energia básica que anima a existência de unia comunidade humana num determinado território, conservando-a unida, coesa e solidária.
Autores há que preferem defini-lo como "a faculdade de tomar decisões em nome da coletividade" (Afonso Arinos).
Com o poder se entrelaçam a força e a competência, compreendida esta última como a legitimidade oriunda do consentimento. Se o poder repousa unicamente na força, e a Sociedade, onde ele se exerce, exterioriza em primeiro lugar o aspecto coercitivo com a nota da dominação material e o emprego freqüente de meios violentos para impor a obediência, esse poder, não importa sua aparente solidez ou estabilidade, será sempre um poder de fato.
Se, todavia, busca o poder sua base de apoio menos na força do que na competência, menos na coerção do que no consentimento dos governados, converter-se-á então num poder de direito. O Estado moderno resume basicamente o processo de despersonalização do poder, a saber, a passagem de um poder de pessoa a um poder de instituições, de poder imposto pela força a um poder fundado na aprovação do grupo, de um poder de fato a um poder de direito.
No vocabulário político ocorre com freqüência o emprego indistinto das palavras força, poder e autoridade. Exigências de clareza porém recomendam a correção dos abusos aqui perpetrados. A nosso ver, a força exprime a capacidade material de comandar interna e externamente; o poder significa a organização ou disciplina jurídica da força e a autoridade enfim traduz o poder quando ele se explica pelo consentimento, tácito ou expresso, dos governados (quanto mais consentimento mais legitimidade e quanto mais legitimidade mais autoridade). O poder com autoridade é o poder em toda sua plenitude, apto a dar soluções aos problemas sociais. Quanto menor a contestação e quanto maior a base de consentimento e adesão do grupo, mais estável se apresentará o ordenamento estatal, unindo a força ao poder e o poder à autoridade. Onde porém o consentimento social for fraco, a autoridade refletirá essa fraqueza; onde for forte, a autoridade se achará robustecida.
Com respeito ao poder do Estado, urge considerá-lo através dos traços que lhe emprestam a fisionomia costumeira, alguns dos quais comportam intermináveis debates relativos ao seu caráter contingente ou absoluto.
Esses traços são: a imperatividade e natureza integrativa do poder estatal, a capacidade de auto-organização, a unidade e indivisibilidade do poder, o princípio de legalidade e legitimidade e a soberania.
(...)
A soberania, que exprime o mais alto poder do Estado, a qualidade de poder supremo (suprema potestas), apresenta duas faces distintas: a interna e a externa.
A soberania interna significa o imperium que o Estado tem sobre o território e a população, bem como a superioridade do poder político frente aos demais poderes sociais, que lhe ficam sujeitos, de forma mediata ou imediata.
A soberania externa é a manifestação independente do poder do Estado perante outros Estados.
Palavra do Presidente (de fato) de Honduras
Nada melhor para um debate do que escutar todas as partes envolvidas. O texto abaixo foi publicado no Blog do Noblat é de autoria de Roberto Micheletti, presidente de fato de Honduras, comentando sobre os acontecimentos em seu país.
"De Roberto Micheletti, presidente de facto de Honduras:
Meu país vive uma situação incomum nesta semana. O ex-presidente Manuel Zelaya retornou sub-repticiamente a Honduras, alegando ainda ser o líder legítimo do país, a despeito do fato de que uma sucessão constitucional teve lugar em 28 de junho.
Em meio a todas as alegações que provavelmente serão feitas, o ex-presidente não mencionará que o povo de Honduras avançou desde aquele dia ou que nossos cidadãos estão se preparando para eleições livres.
A comunidade internacional condenou equivocadamente os eventos de 28 de junho e erradamente rotulou nosso país como não democrático. Devo respeitosamente discordar.
Em 28 de junho, a Suprema Corte emitiu uma ordem de prisão contra Zelaya por suas violações gritantes de nossa Constituição que marcaram o fim de sua presidência. Até hoje, uma maioria avassaladora de hondurenhos apoia as ações que asseguraram o respeito ao regime da lei.
Em meio a toda retórica sobre um golpe militar estão fatos. Em poucas palavras, golpes não deixam civis no controle sobre as Forças Armadas, como é o caso em Honduras hoje. Eles não permitem tampouco o funcionamento independente de instituições democráticas - os tribunais, a procuradoria-geral, o tribunal eleitoral. Eles também não mantêm um respeito pela separação de poderes. Em Honduras os poderes Judiciário, Legislativo e Executivo estão em funcionamento e chefiados por autoridades civis.
Golpes não permitem liberdade de reunião. Não garantem a liberdade de imprensa, e muito menos o respeito aos direitos humanos. Em Honduras, essas liberdades permanecem intactas e vibrantes. E, em 29 de novembro, nosso país pretende realizar o exercício civil supremo de qualquer democracia: uma eleição presidencial livre.
O vencedor da eleição assumirá a presidência em janeiro. Nesse momento, cessará minha administração de transição."
"De Roberto Micheletti, presidente de facto de Honduras:
Meu país vive uma situação incomum nesta semana. O ex-presidente Manuel Zelaya retornou sub-repticiamente a Honduras, alegando ainda ser o líder legítimo do país, a despeito do fato de que uma sucessão constitucional teve lugar em 28 de junho.
Em meio a todas as alegações que provavelmente serão feitas, o ex-presidente não mencionará que o povo de Honduras avançou desde aquele dia ou que nossos cidadãos estão se preparando para eleições livres.
A comunidade internacional condenou equivocadamente os eventos de 28 de junho e erradamente rotulou nosso país como não democrático. Devo respeitosamente discordar.
Em 28 de junho, a Suprema Corte emitiu uma ordem de prisão contra Zelaya por suas violações gritantes de nossa Constituição que marcaram o fim de sua presidência. Até hoje, uma maioria avassaladora de hondurenhos apoia as ações que asseguraram o respeito ao regime da lei.
Em meio a toda retórica sobre um golpe militar estão fatos. Em poucas palavras, golpes não deixam civis no controle sobre as Forças Armadas, como é o caso em Honduras hoje. Eles não permitem tampouco o funcionamento independente de instituições democráticas - os tribunais, a procuradoria-geral, o tribunal eleitoral. Eles também não mantêm um respeito pela separação de poderes. Em Honduras os poderes Judiciário, Legislativo e Executivo estão em funcionamento e chefiados por autoridades civis.
Golpes não permitem liberdade de reunião. Não garantem a liberdade de imprensa, e muito menos o respeito aos direitos humanos. Em Honduras, essas liberdades permanecem intactas e vibrantes. E, em 29 de novembro, nosso país pretende realizar o exercício civil supremo de qualquer democracia: uma eleição presidencial livre.
O vencedor da eleição assumirá a presidência em janeiro. Nesse momento, cessará minha administração de transição."
Segunda-feira, Agosto 17, 2009
Querem saber o segredo de Sarney? Eu vou contar!
Que vida estranha tenho levado nos últimos meses... muito boa, mas bastante estranha! Trabalho incansavelmente, mas volta e meia eu paro para tentar escrever coisas interessantes neste blog. Vocês sabem: a proposta é tratar de política, economia e afins sem parecer muito chato, ainda que conseguir este objetivo as vezes é difícil.
Estava tentando escrever algo sobre Sarney e seu discurso ligeiramente bobo, para não dizer outra coisa, para uma platéia de... bobos. Já sei... o leitor vai dizer: “hei... bobos somos nós que votamos nessa canalha!” Mas considerando que os bobos eram aqueles membros da corte que diziam tolices para divertir as pessoas e relendo o discurso tolo do presidente do Senado, até que a palavra bobo lhes convém.
Permaneço com as saudades daquela oratória carregada de enfeites que antigos senadores utilizavam para defender as suas idéias. Não que eu as tenha visto, mas cheguei a ler vários discursos interessantes proferidos daquela tribuna.
Vou contar uma história capciosa: quando trabalhava como aprendiz na Câmara Municipal de uma cidade do interior paulista um vereador (cujo nome não me lembro) disse numa roda de conversas, em meio ao plenário, que havia votado a favor de uma matéria porque uma empresa, cujo dono era seu amigo de longa data, lhe pedira ajuda para aprovar a tal matéria. O curioso é que ele dizia com total naturalidade que recebera um “apoio” da empresa e que ele precisava fazer aquilo “para poder terminar minha casinha!”.
Lembrei-me bem daquele episódio quando o presidente do Senado disse que não se deve negar um favor a uma neta! Observem que o conceito de público, como aquilo que é de todos, transforma-se rapidamente “naquilo que não é de ninguém” e, portanto, a relação privada, seja ela familiar ou de amizade, sobrepõe-se rapidamente ao interesse coletivo. Que se lixe (usando uma expressão de um deputado) a opinião pública! O que importa é a minha Netinha!
Pois bem, em qualquer sociedade desenvolvida, toda a pantomima do discurso de Sarney, os acordos entre situação e oposição, os telhados de vidro de todos os integrantes do Senado, a esculhambação da casa legislativa mais importante do país, enfim, qualquer mísero ato secreto para defesa de interesses pessoais com dinheiro público, já seria suficiente para levar centenas de milhares às ruas, obcecadas em defender o patrimônio público, a ética e a decência na política. Na Ásia uma meia dúzia de senadores já teria cometido suicídio em frente às câmeras... eu disse câmera e não Câmara... bem, mas daí, tanto faz!
O fato é que existe um “segredo” que faz com que Sarney resista bravamente no cargo de presidente do Senado. Este “segredo” eu vou contar! É que com toda a sua experiência, todo o domínio dos meios de comunicação de seu estado (seria Acre ou Maranhão?) e toda a fonte de informações que possui, incluindo pesquisas eleitorais e de imagem, adivinhem qual é a conclusão que o presidente do Senado chegou? Ora, caros leitores, a conclusão é óbvia: para os eleitores de seu estado não faz a menor diferença o escândalo dos Atos Secretos! Isso mesmo, seus eleitores não entendem muito bem o que são os atos secretos, conseguem mais ou menos saber que existe uma crise que envolve o ex-presidente, mas que não passa de uma campanha da imprensa contra o herói da Academia Brasileira de Letras! E só!
Portanto, se eu fosse Sarney faria exatamente o que ele tem feito: se agarrar à cadeira. O ex-presidente não é só bom de atos secretos, ele também é bom em fazer política.
Estava tentando escrever algo sobre Sarney e seu discurso ligeiramente bobo, para não dizer outra coisa, para uma platéia de... bobos. Já sei... o leitor vai dizer: “hei... bobos somos nós que votamos nessa canalha!” Mas considerando que os bobos eram aqueles membros da corte que diziam tolices para divertir as pessoas e relendo o discurso tolo do presidente do Senado, até que a palavra bobo lhes convém.
Permaneço com as saudades daquela oratória carregada de enfeites que antigos senadores utilizavam para defender as suas idéias. Não que eu as tenha visto, mas cheguei a ler vários discursos interessantes proferidos daquela tribuna.
Vou contar uma história capciosa: quando trabalhava como aprendiz na Câmara Municipal de uma cidade do interior paulista um vereador (cujo nome não me lembro) disse numa roda de conversas, em meio ao plenário, que havia votado a favor de uma matéria porque uma empresa, cujo dono era seu amigo de longa data, lhe pedira ajuda para aprovar a tal matéria. O curioso é que ele dizia com total naturalidade que recebera um “apoio” da empresa e que ele precisava fazer aquilo “para poder terminar minha casinha!”.
Lembrei-me bem daquele episódio quando o presidente do Senado disse que não se deve negar um favor a uma neta! Observem que o conceito de público, como aquilo que é de todos, transforma-se rapidamente “naquilo que não é de ninguém” e, portanto, a relação privada, seja ela familiar ou de amizade, sobrepõe-se rapidamente ao interesse coletivo. Que se lixe (usando uma expressão de um deputado) a opinião pública! O que importa é a minha Netinha!
Pois bem, em qualquer sociedade desenvolvida, toda a pantomima do discurso de Sarney, os acordos entre situação e oposição, os telhados de vidro de todos os integrantes do Senado, a esculhambação da casa legislativa mais importante do país, enfim, qualquer mísero ato secreto para defesa de interesses pessoais com dinheiro público, já seria suficiente para levar centenas de milhares às ruas, obcecadas em defender o patrimônio público, a ética e a decência na política. Na Ásia uma meia dúzia de senadores já teria cometido suicídio em frente às câmeras... eu disse câmera e não Câmara... bem, mas daí, tanto faz!
O fato é que existe um “segredo” que faz com que Sarney resista bravamente no cargo de presidente do Senado. Este “segredo” eu vou contar! É que com toda a sua experiência, todo o domínio dos meios de comunicação de seu estado (seria Acre ou Maranhão?) e toda a fonte de informações que possui, incluindo pesquisas eleitorais e de imagem, adivinhem qual é a conclusão que o presidente do Senado chegou? Ora, caros leitores, a conclusão é óbvia: para os eleitores de seu estado não faz a menor diferença o escândalo dos Atos Secretos! Isso mesmo, seus eleitores não entendem muito bem o que são os atos secretos, conseguem mais ou menos saber que existe uma crise que envolve o ex-presidente, mas que não passa de uma campanha da imprensa contra o herói da Academia Brasileira de Letras! E só!
Portanto, se eu fosse Sarney faria exatamente o que ele tem feito: se agarrar à cadeira. O ex-presidente não é só bom de atos secretos, ele também é bom em fazer política.
Quarta-feira, Agosto 05, 2009
De Olho no Discurso de Sarney
Se estiverem em quarentena por conta da gripe A e tiverem TV a cabo, aproveitem a tarde para assistir o discurso de Sarney no Senado. Ele tentará se defender das acusações que vem sofrendo e o programa pode ser quase didático para aprenderem mais sobre o funcionamento da política e como os discursos são trabalhados.
Existem verdadeiros monumentos históricos construídos com palavras, fundamentais eu diria, proferidos a partir das tribunas daquela Casa. Nenhuma relação com o debate entre Pedro Simon e Fernando Esbugalhando os Olhos Collor que ocorreu esses dias.
Portanto, observem o nível deste, pois ele refletirá exatamente o nível do Senado. É um passo para concluir por si mesmos, sem a influência da imprensa, em que nível se encontra a Casa Legislativa mais importante do país, aquela cujos membros deveriam ser figuras ilibadas, irrepreensívas, formadoras do caráter político nacional, reconhecidos pelo alto nível dos debates, pelas honrosas proposições e pelas decisões legislativas de maior interesse do Estado brasileiro.
Façam o exercício. Garanto que será, no mínimo, curioso!
Existem verdadeiros monumentos históricos construídos com palavras, fundamentais eu diria, proferidos a partir das tribunas daquela Casa. Nenhuma relação com o debate entre Pedro Simon e Fernando Esbugalhando os Olhos Collor que ocorreu esses dias.
Portanto, observem o nível deste, pois ele refletirá exatamente o nível do Senado. É um passo para concluir por si mesmos, sem a influência da imprensa, em que nível se encontra a Casa Legislativa mais importante do país, aquela cujos membros deveriam ser figuras ilibadas, irrepreensívas, formadoras do caráter político nacional, reconhecidos pelo alto nível dos debates, pelas honrosas proposições e pelas decisões legislativas de maior interesse do Estado brasileiro.
Façam o exercício. Garanto que será, no mínimo, curioso!
Terça-feira, Agosto 04, 2009
Sarney diz que fica e tropa de choque ameaça oposição com dossiê
Enquanto não encontro tempo para escrever, ao menos estou "postando" matérias relevantes sobre a crise no Senado.
Fonte: Portal do Estadão
Data: 03/08/2009
Texto: Eugênia Lopes e Vera Rosa
"Apoiados pelo Palácio do Planalto, os aliados do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), cumpriram à risca a estratégia montada na semana passada e voltaram do recesso acuando a oposição, que pede sua renúncia do cargo. O próprio Sarney, após indicar para aliados e familiares, na semana passada, que iria renunciar, ontem mudou de ideia, reforçou a corrente de resistência da tropa de choque e negou que vá deixar o cargo. "Isso não existe, isso não existe", repetiu, ao deixar o plenário.
Na sessão, os aliados de Sarney revelaram abertamente que preparam "dossiês" sobre senadores da oposição. Também "vazaram" denúncias de irregularidades praticadas por desafetos do presidente da Casa. "Eu peguei todos os atos. Xeroquei do original. Tem a assinatura de cada um dos líderes lá avalizando as atitudes tomadas pelo presidente. Eu tenho os documentos", avisou Wellington Salgado (PMDB-MG), da tropa de Sarney, em plenário.
Pelo raciocínio do grupo, se ele cair, não será sozinho. A senha para o ataque foi o discurso do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que pediu a renúncia de Sarney da presidência. Liderada por Renan Calheiros (PMDB-AL), a reação contou com a adesão de Fernando Collor (PTB-AL), que reeditou o estilo "bateu levou", da época em que presidiu o Brasil, entre 1990 e 1992, antes de ser alvo de processo de impeachment e ter o mandato cassado.
Momentos antes de o clima de beligerância tomar conta do plenário, Sarney saiu e se recolheu a seu gabinete. "Estou com um espírito muito bom. Nunca deixei de estar confiante", afirmou, ao ser indagado se estava tranquilo para enfrentar os 11 pedidos de investigação protocolados no Conselho de Ética. Desde que assumiu, em fevereiro, Sarney vem sendo alvo de denúncias que envolvem emprego de familiares, uso de atos secretos no Senado e desvios da fundação que leva seu nome. Os aliados passaram o início da tarde tentando pôr panos quentes na crise e refutando a hipótese de renúncia. "Isso aqui não é como time de futebol, que troca de técnico a toda hora", disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). "Não existe possibilidade de renunciar", emendou Salgado. Ao ser indagado sobre a nota do PMDB, divulgada anteontem, que aconselhou os dissidentes a saírem da legenda, em uma referência a Simon e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Jucá tentou amainar a crise. "Se estamos trabalhando para desidratar a crise, não há como jogar mais combustão", disse.
A decisão do Palácio do Planalto de apoiar Sarney foi tomada com base na certeza de que, se ele cair agora, a derrota será debitada pelo PMDB na conta do PT. O argumento é que o senador pode até não resistir à guerra e renunciar ao cargo, mas não é inteligente o PT empurrá-lo para o abismo. Ao contrário, trata-se, no diagnóstico do governo, de "tática suicida".Na tentativa de baixar a temperatura da crise, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, reuniu ontem para jantar os senadores Renan, Aloizio Mercadante (PT-SP), Gim Argello (PTB), Jucá, Ideli Salvatti (PT-SC) e o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). A mesa era a expressão das divergências na base aliada. Berzoini criticou em tom duro a nota divulgada na semana retrasada por Mercadante pedindo o afastamento de Sarney.
LEGISLATIVO EM CRISE
10/6: Estado revela que Senado acumula mais de 300 atos secretos . Parentes de políticos, como o presidente José Sarney, se beneficiam.
23/6: Sob pressão, Sarney demite dois diretores do Senado: Alexandre Gazineo e Ralph Siqueira.
25/7: Estado revela que José Adriano Cordeiro Sarney, neto do senador, opera crédito consignado na Casa.
3/7/2009: Estado informa que Sarney ocultou casa de R$ 4 milhões, em Brasília, da Justiça Eleitoral.
9/7: Estado revela que Fundação José Sarney, em São Luís, desviou R$ 500 mil de verba da Petrobrás.
10/7: Polícia Federal instaura inquérito para investigar os atos secretos.
13/7: Ministério Público decide investigar desvio na Fundação Sarney.
15/7: Fernando Sarney, filho do senador, é indiciado pela PF por lavagem e formação de quadrilha.
21/7: Conversas gravadas pela PF e reveladas pelo Estado mostram o senador articulando a contratação, por meio de ato secreto, de um namorado da neta, Bia.
28/7: Ministério Público reprova contas da Fundação Sarney e decide intervir na entidade.
30/7: Liminar do desembargador Dácio Vieira, próximo do clã Sarney, proíbe Estado de noticiar investigação contra Fernando Sarney."
Fonte: Portal do Estadão
Data: 03/08/2009
Texto: Eugênia Lopes e Vera Rosa
"Apoiados pelo Palácio do Planalto, os aliados do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), cumpriram à risca a estratégia montada na semana passada e voltaram do recesso acuando a oposição, que pede sua renúncia do cargo. O próprio Sarney, após indicar para aliados e familiares, na semana passada, que iria renunciar, ontem mudou de ideia, reforçou a corrente de resistência da tropa de choque e negou que vá deixar o cargo. "Isso não existe, isso não existe", repetiu, ao deixar o plenário.
Na sessão, os aliados de Sarney revelaram abertamente que preparam "dossiês" sobre senadores da oposição. Também "vazaram" denúncias de irregularidades praticadas por desafetos do presidente da Casa. "Eu peguei todos os atos. Xeroquei do original. Tem a assinatura de cada um dos líderes lá avalizando as atitudes tomadas pelo presidente. Eu tenho os documentos", avisou Wellington Salgado (PMDB-MG), da tropa de Sarney, em plenário.
Pelo raciocínio do grupo, se ele cair, não será sozinho. A senha para o ataque foi o discurso do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que pediu a renúncia de Sarney da presidência. Liderada por Renan Calheiros (PMDB-AL), a reação contou com a adesão de Fernando Collor (PTB-AL), que reeditou o estilo "bateu levou", da época em que presidiu o Brasil, entre 1990 e 1992, antes de ser alvo de processo de impeachment e ter o mandato cassado.
Momentos antes de o clima de beligerância tomar conta do plenário, Sarney saiu e se recolheu a seu gabinete. "Estou com um espírito muito bom. Nunca deixei de estar confiante", afirmou, ao ser indagado se estava tranquilo para enfrentar os 11 pedidos de investigação protocolados no Conselho de Ética. Desde que assumiu, em fevereiro, Sarney vem sendo alvo de denúncias que envolvem emprego de familiares, uso de atos secretos no Senado e desvios da fundação que leva seu nome. Os aliados passaram o início da tarde tentando pôr panos quentes na crise e refutando a hipótese de renúncia. "Isso aqui não é como time de futebol, que troca de técnico a toda hora", disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). "Não existe possibilidade de renunciar", emendou Salgado. Ao ser indagado sobre a nota do PMDB, divulgada anteontem, que aconselhou os dissidentes a saírem da legenda, em uma referência a Simon e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Jucá tentou amainar a crise. "Se estamos trabalhando para desidratar a crise, não há como jogar mais combustão", disse.
A decisão do Palácio do Planalto de apoiar Sarney foi tomada com base na certeza de que, se ele cair agora, a derrota será debitada pelo PMDB na conta do PT. O argumento é que o senador pode até não resistir à guerra e renunciar ao cargo, mas não é inteligente o PT empurrá-lo para o abismo. Ao contrário, trata-se, no diagnóstico do governo, de "tática suicida".Na tentativa de baixar a temperatura da crise, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, reuniu ontem para jantar os senadores Renan, Aloizio Mercadante (PT-SP), Gim Argello (PTB), Jucá, Ideli Salvatti (PT-SC) e o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). A mesa era a expressão das divergências na base aliada. Berzoini criticou em tom duro a nota divulgada na semana retrasada por Mercadante pedindo o afastamento de Sarney.
LEGISLATIVO EM CRISE
10/6: Estado revela que Senado acumula mais de 300 atos secretos . Parentes de políticos, como o presidente José Sarney, se beneficiam.
23/6: Sob pressão, Sarney demite dois diretores do Senado: Alexandre Gazineo e Ralph Siqueira.
25/7: Estado revela que José Adriano Cordeiro Sarney, neto do senador, opera crédito consignado na Casa.
3/7/2009: Estado informa que Sarney ocultou casa de R$ 4 milhões, em Brasília, da Justiça Eleitoral.
9/7: Estado revela que Fundação José Sarney, em São Luís, desviou R$ 500 mil de verba da Petrobrás.
10/7: Polícia Federal instaura inquérito para investigar os atos secretos.
13/7: Ministério Público decide investigar desvio na Fundação Sarney.
15/7: Fernando Sarney, filho do senador, é indiciado pela PF por lavagem e formação de quadrilha.
21/7: Conversas gravadas pela PF e reveladas pelo Estado mostram o senador articulando a contratação, por meio de ato secreto, de um namorado da neta, Bia.
28/7: Ministério Público reprova contas da Fundação Sarney e decide intervir na entidade.
30/7: Liminar do desembargador Dácio Vieira, próximo do clã Sarney, proíbe Estado de noticiar investigação contra Fernando Sarney."
Sexta-feira, Julho 31, 2009
Justiça censura Estado e proíbe informações sobre Sarney
Fonte: Portal do Estadão
Data: 31/07/2009
BRASÍLIA - O desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), proibiu o jornal o Estado de S. Paulo e o portal Estadão de publicar reportagens que contenham informações da Operação Faktor, mais conhecida como Boi Barrica. O recurso judicial, que pôs o Estado sob censura, foi feito pelo empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).
O pedido chegou ao desembargador na quinta-feira, no fim do dia. E na manhã desta sexta-feira, 31, a liminar havia sido concedida. A decisão determina que o Estado não publique mais informações sobre a investigação da Polícia Federal e proíbe os demais veículos de comunicação - emissoras de rádio e televisão, além de jornais de todo o País - de utilizarem ou citarem material publicado pelo Estado.
Em caso de descumprimento, o desembargador Dácio Vieira determinou aplicação de multa de R$ 150 mil por "cada ato de violação do presente comando judicial", isto é, para cada reportagem publicada. O pedido inicial de Fernando Sarney era para que fosse aplicada multa de R$ 300 mil.
O advogado do Grupo Estado, Manuel Alceu Afonso Ferreira, vai recorrer da decisão. "Há um valor constitucional maior, que é o da liberdade de imprensa, principalmente quando esta liberdade se dá em benefício do interesse público", observou Manuel Alceu. "O jornal tomará as medidas cabíveis."
O diretor de Conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, afirmou que a medida não mudará a conduta do jornal. "O Estado não se intimidará, como nunca em sua história se intimidou. Respeita os parâmetros da lei, mas utiliza métodos jornalísticos lícitos e éticos para levar informações de interesse público à sociedade", disse.
Diálogos íntimos
Os advogados do empresário afirmam que o Grupo Estado praticou crime ao publicar trechos das conversas telefônicas gravadas na operação com autorização judicial e alegaram que a divulgação de dados das investigações fere a honra da família Sarney.
"Uma enxurrada de diálogos íntimos, travados entre membros da família, veio à tona da forma como a reportagem bem entendeu e quis. A partir daí, em se tratando de família da mais alta notoriedade, nem é preciso muito esforço para entender que os demais meios de comunicação deram especial atenção ao assunto, ‘leiloando’ a honra, a intimidade, a privacidade, enfim, aviltando o direito de personalidade de toda a família Sarney", argumentaram os advogados que assinam a ação - Marcelo Leal de Lima Oliveira, Benedito Cerezzo Pereira Filho e Janaína Castro de Carvalho Kalume, todos do escritório de Eduardo Ferrão.
As gravações revelaram ligações do presidente do Senado com a contratação de parentes por meio de atos secretos. A decisão faz com que o portal Estadão seja obrigado a suspender a veiculação dos arquivos de áudio relacionados à operação.
Data: 31/07/2009
BRASÍLIA - O desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), proibiu o jornal o Estado de S. Paulo e o portal Estadão de publicar reportagens que contenham informações da Operação Faktor, mais conhecida como Boi Barrica. O recurso judicial, que pôs o Estado sob censura, foi feito pelo empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).
O pedido chegou ao desembargador na quinta-feira, no fim do dia. E na manhã desta sexta-feira, 31, a liminar havia sido concedida. A decisão determina que o Estado não publique mais informações sobre a investigação da Polícia Federal e proíbe os demais veículos de comunicação - emissoras de rádio e televisão, além de jornais de todo o País - de utilizarem ou citarem material publicado pelo Estado.
Em caso de descumprimento, o desembargador Dácio Vieira determinou aplicação de multa de R$ 150 mil por "cada ato de violação do presente comando judicial", isto é, para cada reportagem publicada. O pedido inicial de Fernando Sarney era para que fosse aplicada multa de R$ 300 mil.
O advogado do Grupo Estado, Manuel Alceu Afonso Ferreira, vai recorrer da decisão. "Há um valor constitucional maior, que é o da liberdade de imprensa, principalmente quando esta liberdade se dá em benefício do interesse público", observou Manuel Alceu. "O jornal tomará as medidas cabíveis."
O diretor de Conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, afirmou que a medida não mudará a conduta do jornal. "O Estado não se intimidará, como nunca em sua história se intimidou. Respeita os parâmetros da lei, mas utiliza métodos jornalísticos lícitos e éticos para levar informações de interesse público à sociedade", disse.
Diálogos íntimos
Os advogados do empresário afirmam que o Grupo Estado praticou crime ao publicar trechos das conversas telefônicas gravadas na operação com autorização judicial e alegaram que a divulgação de dados das investigações fere a honra da família Sarney.
"Uma enxurrada de diálogos íntimos, travados entre membros da família, veio à tona da forma como a reportagem bem entendeu e quis. A partir daí, em se tratando de família da mais alta notoriedade, nem é preciso muito esforço para entender que os demais meios de comunicação deram especial atenção ao assunto, ‘leiloando’ a honra, a intimidade, a privacidade, enfim, aviltando o direito de personalidade de toda a família Sarney", argumentaram os advogados que assinam a ação - Marcelo Leal de Lima Oliveira, Benedito Cerezzo Pereira Filho e Janaína Castro de Carvalho Kalume, todos do escritório de Eduardo Ferrão.
As gravações revelaram ligações do presidente do Senado com a contratação de parentes por meio de atos secretos. A decisão faz com que o portal Estadão seja obrigado a suspender a veiculação dos arquivos de áudio relacionados à operação.
Sábado, Julho 04, 2009
Novos mísseis são provocação da Coreia do Norte, condena UE
Olá pessoal, faz tempo que estou interessado em colocar este tema para discussão. Vou iniciar publicando algumas notícias sobre a crise com a Coréia do Norte e depois eu desenvolvo o pensamento!
Título da matéria: Novos mísseis são provocação da Coreia do Norte, condena UE
Fonte: Portal do Estadão
Texto: Agência EFE
"Regime comunista lançou sete mísseis em direção ao Mar do Japão neste sábado; Rússia e China pedem calma.
BRUXELAS - A União Europeia (UE) condenou o governo da Coreia do Norte neste sábado, 4, afirmando que o lançamento de sete mísseis é uma "provocação" do regime comunista. A afirmação foi feita pelo escritório do alto representante para Política Externa e Segurança Comum do bloco, Javier Solana.
"A UE condena o lançamento de mísseis, considera uma provocação e exige que a Coreia do Norte volte à mesa de negociações", disse a porta-voz de Solana, Cristina Gallach. Também neste sábado, o ministro das relações exteriores russo afirmou que Rússia e China pedem calma na região. A Rússia quer que o governo da Coreia do Norte volta a negociar.
Neste sábado, a Coreia do Norte realizou seu sétimo teste de um míssil balístico, após ter lançado outros seis de curto alcance em direção ao Mar do Leste (Mar do Japão). O sétimo lançamento ocorreu às 17h40 locais (5h40 de Brasília), segundo o Ministério da Defesa sul-coreano.
As autoridades sul-coreanas dizem que estão investigando os testes norte-coreanos para determinar as intenções do regime comunista e o tipo exato de mísseis lançados, que parecem ter caído no Mar do Leste sem causar danos.
O governo sul-coreano suspeita de que todos sejam mísseis de curto alcance do tipo Scud, que podem cobrir uma maior distância - entre 400 e 500 km -, apesar de tecnicamente continuarem sendo considerados como projéteis de curto alcance. No entanto, não descartam que se tratem de projéteis Rodong, um tipo de Scud melhorado.
Os mísseis Rodong podem alcançar uma distância entre 1.000 e 1.400 km, mas teriam de ser modificados especialmente para a realização deste teste, com o objetivo de cair antes, segundo a Yonhap.
Se forem realmente mísseis Scud, considerados mais perigosos por Seul, será a primeira vez que a Coreia do Norte lança projéteis deste tipo desde julho de 2006, meses antes de seu primeiro teste nuclear.
Os lançamentos ocorrem dois dias depois de a Coreia do Norte ter disparado dois mísseis de curto alcance também de sua costa leste, em direção ao Mar do Japão, e coincide com o Dia da Independência dos Estados Unidos, comemorado em 4 de julho."
Título da matéria: Novos mísseis são provocação da Coreia do Norte, condena UE
Fonte: Portal do Estadão
Texto: Agência EFE
"Regime comunista lançou sete mísseis em direção ao Mar do Japão neste sábado; Rússia e China pedem calma.
BRUXELAS - A União Europeia (UE) condenou o governo da Coreia do Norte neste sábado, 4, afirmando que o lançamento de sete mísseis é uma "provocação" do regime comunista. A afirmação foi feita pelo escritório do alto representante para Política Externa e Segurança Comum do bloco, Javier Solana.
"A UE condena o lançamento de mísseis, considera uma provocação e exige que a Coreia do Norte volte à mesa de negociações", disse a porta-voz de Solana, Cristina Gallach. Também neste sábado, o ministro das relações exteriores russo afirmou que Rússia e China pedem calma na região. A Rússia quer que o governo da Coreia do Norte volta a negociar.
Neste sábado, a Coreia do Norte realizou seu sétimo teste de um míssil balístico, após ter lançado outros seis de curto alcance em direção ao Mar do Leste (Mar do Japão). O sétimo lançamento ocorreu às 17h40 locais (5h40 de Brasília), segundo o Ministério da Defesa sul-coreano.
As autoridades sul-coreanas dizem que estão investigando os testes norte-coreanos para determinar as intenções do regime comunista e o tipo exato de mísseis lançados, que parecem ter caído no Mar do Leste sem causar danos.
O governo sul-coreano suspeita de que todos sejam mísseis de curto alcance do tipo Scud, que podem cobrir uma maior distância - entre 400 e 500 km -, apesar de tecnicamente continuarem sendo considerados como projéteis de curto alcance. No entanto, não descartam que se tratem de projéteis Rodong, um tipo de Scud melhorado.
Os mísseis Rodong podem alcançar uma distância entre 1.000 e 1.400 km, mas teriam de ser modificados especialmente para a realização deste teste, com o objetivo de cair antes, segundo a Yonhap.
Se forem realmente mísseis Scud, considerados mais perigosos por Seul, será a primeira vez que a Coreia do Norte lança projéteis deste tipo desde julho de 2006, meses antes de seu primeiro teste nuclear.
Os lançamentos ocorrem dois dias depois de a Coreia do Norte ter disparado dois mísseis de curto alcance também de sua costa leste, em direção ao Mar do Japão, e coincide com o Dia da Independência dos Estados Unidos, comemorado em 4 de julho."
Terça-feira, Junho 16, 2009
A Vassalagem Moral ou o Nada, que é.
Em minha promessa de retorno estou tentando reescrever um texto que publiquei há bastante tempo chamado Vassalagem Moral. Não que eu queira requentar os posts, mas acontece que estava refletindo sobre algumas coisas que me levavam invariavelmente para este tema; o da vassalagem. Os vassalos morais são essas figuras que se conformam com tudo, são os preguiçosos intelectuais ou mesmo os preguiçosos circenses, aqueles espalhafatosos que dão chicotadas em frente ao público enquanto bichinhos correm, pulam, fazem malabarismos e recebem aplausos que sabem que não são para eles. Tem muita gente assim. O Vassalo Moral, por definição, é um ser amoral. Reparem: amoral e não imoral. Tem muita diferença. Li ontem um texto interessante do jornalista Ari Cunha, que escreve no Correio Braziliense, que tomo a liberdade de reproduzir.
"Conta a história que um navio atingido na 2ª Guerra o Comandante citou pensamento pessoal com esta frase: “O oceano é a única sepultura digna de um almirante batavo”.
Outro fato diz respeito ao encouraçado Graf Spee, da marinha alemã. O navio aportara no Uruguai, neutro. A esquadra inglesa estava no mar esperando para afundá-lo. O governo uruguaio deu guarida por dias, dentro da lei. E obrigou o comandante Langsdorff a levantar ferros. O almirante comandante deixou em Montevidéu os tripulantes doentes. E zarpou para alto mar. Antes de a esquadra inglesa atirar, o navio alemão, por ordens do seu comandante, explodiu de forma a não ficar um único sobrevivente. A foto do almirante Langsdorff está hoje na porta do almirantado inglês como homenagem à sua bravura."
Perceberam a diferença? O exemplo?
Quando eu era uma criança meu pai dizia que minha irmã caçula, com seus 3 ou 4 aninhos, sofria de Gota, porque, segundo ele, ela era muito “Gotósa”! Apesar de infame, é claro que eu achava aquilo engraçado e me lembrei dessa frase da infância porque li esses dias que na maioria dos casos, o primeiro sintoma da Gota (doença provocada pela elevação de ácido úrico no sangue) é, juro (eu li mesmo!), dor no dedão do pé! Interessante estes casos de sintomas e patologias. A Agência EFE de notícias publicou uma matéria sobre os dependentes da Internet e dos Celulares. “Seus dependentes possuem os mesmos sintomas que os de qualquer outro grupo: síndrome de abstinência, insônia, falta de apetite, dependência e uma necessidade compulsiva de se conectar à rede para acalmar a ansiedade.” Até mesmo o som do modem ou do celular pode provocar nesses dependentes taquicardia. Não quero me desfazer da relevância do tema, mas como sou uma pessoa imagética não pude deixar de visualizar um adolescente manifestando excessos de alegria ao toque do celular.
Também já li sobre um terapeuta que tratava do interessante caso de uma mulher que tinha orgasmos sempre que escovava os dentes. Psicólogos da Escola Paulista de Medicina publicaram um artigo no ano 2000 em que descreviam e analisavam novas patologias que estavam chegando até o Hospital São Paulo, as quais eram as tradicionais formas de desorganização psíquica, porém influenciadas pela Era da Informação, tais como as queixas do tipo “Estão escaneando minha mente.” ou “O movimento do mouse move minha cabeça e minha vagina.”
Não tenho a pretensão de me meter em assunto que não domino e por isso prefiro escrever sobre uma outra patologia moderna, a qual eu posso citar sem medo: a Vassalagem Moral. Há alguns anos eu li uma filósofa espanhola escrever sobre o tema e a idéia era mais ou menos esta: atitudes morais típicas de instituições políticas próprias de períodos históricos anteriores ao nosso, como o feudalismo e o despotismo, estão assombrosamente extendidas e reproduzidas na história contemporânea.
Com efeito, sabemos que a vassalagem era própria dos regimes feudais e consistia em uma relação de dependência e de fidelidade do vassalo para com seu Senhor. Essa figura do vassalo foi substituída pela do súdito, que era o sujeito que vivia sob a autoridade de um monarca. Ambos — vassalos e súditos — permaneciam submetidos à autoridade seja de seu Senhor, seja de seu Rei.
Nas democracias, como forma de organização política moderna, não se pode pactuar com a distinção entre senhor e vassalo, entre soberano e súdito, pois todos os membros das comunidades políticas são cidadãos iguais, submetidos exclusivamente ao império da lei. Dessa forma, a transição do vassalo para o súdito foi seguida da transição do súdito para o cidadão. Curiosamente, no entanto, a cidadania política não foi sucedida pela cidadania moral, a qual consistiria em assumir, como pessoa, a sua própria autonomia. Seria então moralmente vassalo aquele indivíduo que para criar um juízo moral entende ser necessário tomar de uma ou mais pessoas os juízos destas. Em outras palavras, o vassalo moral não possui capacidade para criar seus juízos morais próprios e assim prefere ser regido pelos outros que determinam este ou aquele tipo de comportamento.
É certo que não se defende a tese esdrúxula de que uma pessoa deva, absolutamente sozinha, definir suas idéias sem que haja influências de outrem. É mais do que saudável recorrer aos mais experientes, aos bons livros e demais pessoas de nossa confiança, seja intelectual ou pessoal, para que um conjunto de idéias possam “nascer” ou mesmo se transformar a partir dos filtros cognitivos que as pessoas, com espírito crítico e capacitadas para entender o universo em que vivem, podem possuir e/ou desenvolver.
O problema está no fato de que não pensar em nada ou simplesmente reproduzir cegamente as informações que chegam aos nossos ouvidos é bem mais cômodo do que ter que fazer aquela coisa chata de refletir sobre algo. Vejam que inconvenientes aqueles que protestam contra Ahmadinejad no Irã. Que coisa chata e pegajosa. Muito melhor é “desencanar” da política e deixar as coisas como elas são. Muita gente já faz assim! Muitos alunos também. Principalmente aqueles que reclamam quando um professor encomenda uma leitura de 15 páginas para a próxima aula. É inacreditável.
Pois a Vassalagem Moral é esta doença que se espalha mais do que a Influenza, que mata lentamente e em proporções maiores do que os corpos que sucumbiram à espada de Teerã; é a pandemia que acomete a nova geração que vem chegando para ocupar os bancos das faculdades e universidades, enfim, é a possibilidade da não existência ou (sem querer entrar na discussão filosófica do existencialismo de Sartre e muito menos subverter sua lógica) o nada, sendo.
"Conta a história que um navio atingido na 2ª Guerra o Comandante citou pensamento pessoal com esta frase: “O oceano é a única sepultura digna de um almirante batavo”.
Outro fato diz respeito ao encouraçado Graf Spee, da marinha alemã. O navio aportara no Uruguai, neutro. A esquadra inglesa estava no mar esperando para afundá-lo. O governo uruguaio deu guarida por dias, dentro da lei. E obrigou o comandante Langsdorff a levantar ferros. O almirante comandante deixou em Montevidéu os tripulantes doentes. E zarpou para alto mar. Antes de a esquadra inglesa atirar, o navio alemão, por ordens do seu comandante, explodiu de forma a não ficar um único sobrevivente. A foto do almirante Langsdorff está hoje na porta do almirantado inglês como homenagem à sua bravura."
Perceberam a diferença? O exemplo?
Quando eu era uma criança meu pai dizia que minha irmã caçula, com seus 3 ou 4 aninhos, sofria de Gota, porque, segundo ele, ela era muito “Gotósa”! Apesar de infame, é claro que eu achava aquilo engraçado e me lembrei dessa frase da infância porque li esses dias que na maioria dos casos, o primeiro sintoma da Gota (doença provocada pela elevação de ácido úrico no sangue) é, juro (eu li mesmo!), dor no dedão do pé! Interessante estes casos de sintomas e patologias. A Agência EFE de notícias publicou uma matéria sobre os dependentes da Internet e dos Celulares. “Seus dependentes possuem os mesmos sintomas que os de qualquer outro grupo: síndrome de abstinência, insônia, falta de apetite, dependência e uma necessidade compulsiva de se conectar à rede para acalmar a ansiedade.” Até mesmo o som do modem ou do celular pode provocar nesses dependentes taquicardia. Não quero me desfazer da relevância do tema, mas como sou uma pessoa imagética não pude deixar de visualizar um adolescente manifestando excessos de alegria ao toque do celular.
Também já li sobre um terapeuta que tratava do interessante caso de uma mulher que tinha orgasmos sempre que escovava os dentes. Psicólogos da Escola Paulista de Medicina publicaram um artigo no ano 2000 em que descreviam e analisavam novas patologias que estavam chegando até o Hospital São Paulo, as quais eram as tradicionais formas de desorganização psíquica, porém influenciadas pela Era da Informação, tais como as queixas do tipo “Estão escaneando minha mente.” ou “O movimento do mouse move minha cabeça e minha vagina.”
Não tenho a pretensão de me meter em assunto que não domino e por isso prefiro escrever sobre uma outra patologia moderna, a qual eu posso citar sem medo: a Vassalagem Moral. Há alguns anos eu li uma filósofa espanhola escrever sobre o tema e a idéia era mais ou menos esta: atitudes morais típicas de instituições políticas próprias de períodos históricos anteriores ao nosso, como o feudalismo e o despotismo, estão assombrosamente extendidas e reproduzidas na história contemporânea.
Com efeito, sabemos que a vassalagem era própria dos regimes feudais e consistia em uma relação de dependência e de fidelidade do vassalo para com seu Senhor. Essa figura do vassalo foi substituída pela do súdito, que era o sujeito que vivia sob a autoridade de um monarca. Ambos — vassalos e súditos — permaneciam submetidos à autoridade seja de seu Senhor, seja de seu Rei.
Nas democracias, como forma de organização política moderna, não se pode pactuar com a distinção entre senhor e vassalo, entre soberano e súdito, pois todos os membros das comunidades políticas são cidadãos iguais, submetidos exclusivamente ao império da lei. Dessa forma, a transição do vassalo para o súdito foi seguida da transição do súdito para o cidadão. Curiosamente, no entanto, a cidadania política não foi sucedida pela cidadania moral, a qual consistiria em assumir, como pessoa, a sua própria autonomia. Seria então moralmente vassalo aquele indivíduo que para criar um juízo moral entende ser necessário tomar de uma ou mais pessoas os juízos destas. Em outras palavras, o vassalo moral não possui capacidade para criar seus juízos morais próprios e assim prefere ser regido pelos outros que determinam este ou aquele tipo de comportamento.
É certo que não se defende a tese esdrúxula de que uma pessoa deva, absolutamente sozinha, definir suas idéias sem que haja influências de outrem. É mais do que saudável recorrer aos mais experientes, aos bons livros e demais pessoas de nossa confiança, seja intelectual ou pessoal, para que um conjunto de idéias possam “nascer” ou mesmo se transformar a partir dos filtros cognitivos que as pessoas, com espírito crítico e capacitadas para entender o universo em que vivem, podem possuir e/ou desenvolver.
O problema está no fato de que não pensar em nada ou simplesmente reproduzir cegamente as informações que chegam aos nossos ouvidos é bem mais cômodo do que ter que fazer aquela coisa chata de refletir sobre algo. Vejam que inconvenientes aqueles que protestam contra Ahmadinejad no Irã. Que coisa chata e pegajosa. Muito melhor é “desencanar” da política e deixar as coisas como elas são. Muita gente já faz assim! Muitos alunos também. Principalmente aqueles que reclamam quando um professor encomenda uma leitura de 15 páginas para a próxima aula. É inacreditável.
Pois a Vassalagem Moral é esta doença que se espalha mais do que a Influenza, que mata lentamente e em proporções maiores do que os corpos que sucumbiram à espada de Teerã; é a pandemia que acomete a nova geração que vem chegando para ocupar os bancos das faculdades e universidades, enfim, é a possibilidade da não existência ou (sem querer entrar na discussão filosófica do existencialismo de Sartre e muito menos subverter sua lógica) o nada, sendo.
Quarta-feira, Junho 10, 2009
Que Vergonha...
Se meu salário estivesse vinculado à minha produção de posts para este blog eu estaria na rua da amargura!!!!
Tentarei voltar na próxima semana... juro!!!
Tentarei voltar na próxima semana... juro!!!
Quarta-feira, Abril 29, 2009
Crianças Soldado (Parte II)

Para quem não leu a Parte I, recomendo iniciar por ela.
“Dezenas de milhares de menores-meninas, em particular, se tornam praticamente invisíveis durante o processo de desmobilização e reintegração, Não é que suas necessidades e vulnerabilidade não se reconhecem, é simplesmente que não se aplicam as lições aprendidas e isso é o que está prejudicando a estes meninos e meninas e seu futuro”[1].
Em muitos paises se estabeleceram programas de Desarme, Desmobilização e Reintegração (DDR) específicos para crianças soldados, tanto durante o conflito armado como ao fim deste, o que tem ajudado ex crianças soldados a adquirirem novas habilidades e regressarem a suas comunidades. No entanto, esses programas necessitam mais fundos, recursos adequados e investimentos em longo prazo, além de mais alternativas de atuação. Eles precisam ser mais eficazes, principalmente, no que diz respeito às meninas que, como já foi dito, não são identificadas e não figuram nos programas de DDR, apesar de ser bem conhecida a presença delas nas forças de combate, como combatentes e não-combatentes, e como vítimas de escravidão sexual, violação e outras formas de violência.
Na Libéria, onde o programa de DDR finalizou aos finais de 2004, só um pouco mais da quarta parte das 11.000 meninas que estiveram associadas com as forças combatentes, figuravam no programa oficial de DDR.
Neste caso, como em tantos outros, milhares de meninas regressaram às suas comunidades de maneira informal, sem que fossem atendidas suas complexas necessidades médicas, psicossociais e econômicas. Várias questões devem ser tratadas na hora de desmobilizarem as crianças. A verificação da participação da criança no conflito armado, a recolha de informações fundamentais para estabelecer a identidade da criança, a busca de suas famílias, e o amparo para que ela se sinta segura e tenha conhecimento do que está sendo feito para ajudá-la são passos fundamentais de organizações que se encarregam da DDR.
Entre os elementos da reintegração se encontra a reunificação familiar, o acesso à educação e à formação, o desenvolvimento de estratégias apropriadas para o apoio econômico e do dia-a-dia e, em alguns casos, a prestação de apoio psicossocial.
Conforme consta no Protocolo facultativo sobre a participação de crianças em conflitos armados, é tarefa do programa de Desarme, Desmobilização e Reintegração[2]:
1) Prestar apoio aos programas de desmobilização e reintegração para as crianças ex combatentes em cooperação com os funcionários governamentais, os organismos das Nações Unidas e as organizações de proteção da infância que tenham conhecimentos técnicos e experiência nesta esfera.
2) Assegurar que os programas para desmobilização e reintegração das crianças soldados abordem as necessidades e direitos específicos das crianças, entre eles o apoio psicossocial, a educação, o ensino de atitudes para uma vida prática e a formação profissional.
3) Aderir lições aprendidas de outros paises sobre programas de desarme, desmobilização e reintegração de crianças soldados e compartilhar esta informação com outros organismos de proteção da infância para a criação de novos programas.
4) Contar com a participação das crianças na planificação dos programas de desarme, desmobilização e reintegração, para assegurar que sejam levado em conta seus pontos de vista.
O Informe também acentua o fato de que as pessoas encarregadas de traçar e implementar os programas de DDR geralmente fazem caso omisso das boas práticas acumuladas ao longo dos últimos anos, no que diz respeito à libertação as crianças das filas de forças combatentes e de assisti-las em sua reabilitação e reintegração. Raras vezes se dispõe de financiamento seguro para apoiar, em longo prazo, crianças que tenham sido soldados.
Na República Democrática do Congo, por exemplo, um financiamento com atraso, combinada com uma má planificação e má gestão do programa de DDR, se traduziu em que uns 14.000 ex-crianças soldados tenham sido excluídos do apoio à reintegração.
O persistente recrutamento militar de menores em tempos de paz está colocando obstáculos no progresso para uma norma global que proíba o recrutamento militar ou a utilização de menores em hostilidades. Pelo menos 63 governos – entre eles o britânico e o estadunidense – permitem o recrutamento voluntário de adolescentes de 16 e 17 anos, apesar de que em muitos desses paises a idade adulta só é alcançada aos 18 anos, o que põe em dúvida o compromisso, que muitos deles declaram, de serem protetores da infância. Os recrutas, frequentemente de famílias pobres, que são considerados demasiado jovens para votarem ou comprarem bebidas alcoólicas são submetidos a disciplina militar e a atividades perigosas e ficam constantemente expostos a abusos.
Segundo o Global Report 2008, as forças governamentais utilizaram menores em nove situações de conflito armado, somente uma a menos das 10 documentadas em 2004. Mianmar segue sendo o governo mais persistente nesta prática. Em suas forças armadas, implicadas em operações contra grupos étnicos armados havia milhares de menores, alguns inclusive de 11 anos de idade. Também se serviram de menores as forças governamentais de Chade, República Democrática do Congo, Somália, Uganda e Iêmen. As forças de defesa de Israel utilizaram também meninos e meninas como escudos humanos em varias ocasiões, e, até meados de 2005, as forças britânicas utilizaram vários menores no Iraque.
[1] Dra Forbes Adam, diretora da Coalizão para acabar com o uso de crianças soldados.
[2] Guia del Protocolo Facultativo sobre la participación de niños y ninas em los conflitos armados. http://www.unicef.org/
[2] Guia del Protocolo Facultativo sobre la participación de niños y ninas em los conflitos armados. http://www.unicef.org/
Suzanna Rosas (especial para o blog)
Nota do Editor: O documento acima não consta, porém vale lembrar que durante o último conflito entre Israel e o Hamas, na Faixa de Gaza, os combatentes do Hamas lançaram centenas de mísseis contra o território israelense a partir de telhados de creches e escolas infantis, pois tinham o conhecimento de que os radares de defesa inimigos detectariam as pequenas bases de lançamento e bombardeariam tais locais. Dessa forma, a contabilidade de crianças mortas no conflito foi assustadora e seu uso militar indireto, uma vez que a guerra é feita, também, de propaganda, forneceu apoio internacional ao Hamas e duras críticas à desproporcionalidade da força militar de Israel. Como podemos observar, existem outras formas de utilização de crianças nas guerras, as quais deverão ser melhor investigadas pela imprensa.
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